Como lidar com os imprevistos mais comuns em obras

por Thales Pinheiro

Acidentes de trabalho, temporadas de chuvas, indisponibilidade de material e falta de engajamento da mão de obra são exemplos clássicos que podem afetar todo o cronograma de uma obra

 

Sabemos que prever e planejar os custos de construção deve ser uma das primeiras ações realizadas entre a definição do projeto e o início da construção, pois os recursos disponíveis serão determinantes para entender a viabilidade e o prazo da entrega do empreendimento.

Mas o problema é que o projeto e orçamento quase nunca prevê variáveis externas como: pessoas, variações climáticas, disponibilidade de insumos, etc. A falta de um plano para cobrir imprevisibilidades torna a propagação de erros ainda maior, culminando no aumento das despesas e atrasos na entrega podendo comprometer a reputação da sua construtora.

Para se antecipar aos imprevistos, é necessário tomar conhecimento de como se preparar e reagir na ocorrência dessas situações. Abaixo estão alguns imprevistos comuns na realidade das construtoras e dicas de como lidar com cada situação.

Materiais não entregues no prazo 

É sempre indicado estabelecer um cronograma de compras bem definido, pois isso permitirá você fazer um constante balanceamento do nível de material disponível em estoque com os prazos previstos nas entregas pelos fornecedores. 

Porém, mesmo tomando precauções, atrasos na entrega irão acontecer. E a culpa não é sua. Quando o fornecedor não cumprir o prazo, em último caso, você pode recorrer aos fornecedores de pronta entrega. Sabemos que pronta entrega não sai de graça pois o custo do material nesta modalidade costuma ser mais caro, mas este recurso permite não deixar a mão de obra ociosa (que pode ser ainda mais caro). Você pode fazer compras em quantidades suficientes para a obra não parar até a entrega do restante do material. Para isso é importante saber gerenciar e selecionar muito bem seus fornecedores.

Atualização dos preços de materiais

Outro fator que pode impactar no cronograma da obra é o estouro do orçamento planejado. Muitas vezes, o planejamento é feito com base nos preços da época, sendo ignoradas as oscilações do mercado e a inflação. Além de impactar no preço final da construção, pode faltar recursos no caminho.

Um recente estudo sobre gestão orçamentária no setor de Construção Civil, apontou um desvio entre as receitas atuais e previstas de quase 22%. O objetivo foi identificar as práticas utilizadas no planejamento orçamentário e encontrar as principais dificuldades que as empresas do setor enfrentam em relação ao tema. “Além disso, a pesquisa identificou que os gestores estão mais preocupados com relação ao histórico de eventos ocorridos do que com a previsão de novas ocorrências (41% dos entrevistados) e com uma prática sistemática de se lidar com os problemas apenas quando acontecem, quando poderiam prevê-los no orçamento.

Outro ponto que chamou a atenção dos pesquisadores foi a ausência, na maioria dos casos, do uso de ferramentas especializadas para a gestão orçamentária das empresas. Apesar de 45% dos entrevistados discordarem da afirmação de que “há uso escasso da tecnologia no atual processo de orçamento”, 71% desses entrevistados utilizam apenas planilhas eletrônicas.”

Fique atento ao uso de tabelas referenciais

Ainda sobre o tópico anterior, devemos ter cautela no uso de determinadas tabelas referenciais. Elas são excelentes para um primeiro orçamento, aquele mais superficial. Porém o cuidado maior fica ao utilizar as mesmas tabelas para aferir um orçamento mais preciso, pois as referências de valores não consideram fatores regionais (como o frete ou o imposto) e nem econômicos (como a variação cambial ou das commodities). No mercado, existem algumas alternativas para contornar este problema:

• Considere no planejamento o desequilíbrio do mercado, como a alta dos preços no futuro, por exemplo. Para isso, analise o histórico de inflação de preços e faça projeções para o período que engloba o cronograma da obra. Indicadores muito utilizados na construção civil são o INCC e o CUB;
• Faça reservas financeiras para cada etapa da obra e destine este caixa apenas para situações não previstas.

Problemas climáticos

Mesmo realizando estudos para determinar os períodos de maiores incidências de chuva na região do canteiro de obra, sabemos que tudo pode acontecer. Afinal, estamos lidando com a natureza. De repente, o tempo pode fechar e cair um temporal e paralisar a obra. Abaixo, algumas dicas para evitar problemas que podem aparecer neste caso:

• Fique atento a mudanças climáticas repentinas: monitore todo dia pela manhã qual será a previsão do dia;
• Mantenha as misturas de argamassa e areia em locais cobertos e sem escoamento de águas da chuva. Caso não tenha um local coberto, providencie lonas ou tendas. A mesma lógica deve servir para outros materiais sensíveis a mudanças bruscas de temperatura e umidade.
• Um cuidado especial da vai para os dias de execução da fundação e concretagem, pois é um período onde a obra fica mais vulnerável ao tempo e as propriedades do material ou solo podem se alterar com a incidência intensa de chuva.

Resumindo…

Planejamento é tudo. Até mesmo os imprevistos na obra podem ser bem resolvidos se forem considerados nele. Uma vez que atraso na obra é uma realidade, encontrar uma forma de solucionar esse problema deve ser feita o mais rápido o possível, evitando desgastes com funcionários e fornecedores. O mais correto nestas situações é analisar profundamente todos os pontos da obra que estão com atraso e determinar o novas entregas.

 

Thales Pinheiro

Marketing

Graduando em Engenharia de Produção Elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Foi empresário júnior na C2E – Empresa Júnior de Consultoria em Engenharia Elétrica e atualmente faz parte da equipe de Marketing na Conaz.